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Informativo de Pecuária nº 01 - Proteinado no Período de Estiagem

06/08/2019

Por: Walker Diogenes Ricarte – Consultor Técnico de Pecuária     

Estamos passando por mais um período de secas, onde as pastagens entraram em fase de maturação e tiveram sua qualidade nutricional reduzida e por consequência queda do desempenho dos animais.

Neste período, os pecuaristas nos consultam buscando soluções para evitar que os animais emagreçam e não se reproduzam no início das águas, para àqueles que fazem estação de monta (no caso das novilhas).

Porém às vezes as estratégias de suplementação adicional, além das pastagens, adotadas neste período nem sempre irão coincidir com aquela que realmente irá trazer benefícios. Cabe lembrar que o animal precisa ter um desempenho, em ganho de peso diário, que custeie sua estadia no pasto, caso contrário acarretará em prejuízo.

Tendo um custo de pastagem no valor de R$ 20,00 por animal (garrote) por mês, teremos R$ 0,67 por dia, onde uma arroba será comercializada em R$ 140,00 (garrote), ou R$ 4,67 por quilo de peso vivo. Assim teremos um animal na fase de recria que precisará ganhar no mínimo 0,143 kg por dia (R$ 0,67/R$ 4,67), para que gere uma receita equivalente ao custo do pasto.

Se acrescentarmos demais despesas a este animal por mês, devemos contabilizar um ganho diário na ordem de 0,250 a 0,300 kg/dia. Desta forma, encontramos a importância da suplementação protéica, neste período de seca. Pois na maioria das vezes o uso do sal mineral e mineral ureado não permite ao animal um GMD¹ que pague pelo menos o custo do pasto, onde o prejuízo acumulado terá reflexo no período das águas, descontando-o.

Mas para aplicarmos estas suplementações, assim como demais estratégias é importante que as pastagens, mesmo secas, apresentem bom índice de folhas, conforme a espécie cultivada. Pastos muito altos e produzindo sementes não oferecem boa oferta de massa foliar para que os animais, com poucos bocados, consumam uma quantidade suficiente de massa, para que evitem percorrer grandes distâncias, ocasionando em maior déficit de peso. Porém mesmo o pasto apresentando boa oferta de massa foliar, pode não apresentar um desempenho satisfatório se a suplementação, ofertada no cocho, não for adequada. Isto porque um pasto seco apresenta alto teor de fibra e baixa qualidade proteica, reduzindo a taxa de passagem pelo rumem, em função da baixa atividade de microrganismos ruminais. Teremos um animal de “barriga cheia”, mas com pouco consumo.

Em termos de relação ureia e proteína verdadeira, observa-se que àquelas formulações que venham apresentar uma relação de 70% de nitrogênio não proteico 30% de proteína verdadeira, apresentaram melhores taxas de degradação e síntese microbiana, o limite estipulado pelo MAPA, para quantidade de ureia no suplemento é de no máximo 85%.

Abaixo segue gráfico com Ganho Médio Diário (em gramas) de acordo com a estratégia de suplementação e meses do ano:

Outro fator muito importante para assegurar que o suplemento indicado venha surtir efeito, esta relacionada à oferta de cocho aos animais. Abaixo segue a tabela de espaçamento de cocho, de acordo com a estratégia:

Ao não assegurar o espaçamento mínimo de cocho ocasiona-se que os animais dominantes terão acesso ao suplemento e os animais dominados ao buscarem o produto desistirão de se suplementarem para acompanhar o lote dominante, que depois de saciados buscarão as pastagens novamente. Assim, teremos o chamado “fundo de lote”, onde animais antes apartados por peso e frame (tamanho) irão ficar desparelhos em função de não terem acesso adequado ao suplemento.

Oferta de água, com qualidade, é outro fator externamente importante ao desempenho dos animais, para que haja motilidade ruminal e aumento da taxa de passagem dos alimentos, é importante estar atento aos bebedouros, sejam eles naturais e ou artificiais, visando oferta de água límpida e inodora. Estudos mostram que animais que percorrem distâncias acima de 500 metros para buscarem água apresentam déficit de energia, podendo perder cerca de 100 a 200 gramas/dia.

Figura 01 – Avaliação do escore de fezes nos indica se há necessidade de aumentar o teor de proteína do suplemento, fezes no formato abaixo indicam que há necessidade de incremento protéico, bem como falta de umidade no rumem.

 

Figura 02 – Bolo fecal no período seco indicando que a estratégia nutricional esta surtido efeito, em função da consistência e presença de umidade, mostrando que há taxa de passagem e degradação de massa foliar.